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14 de out de 2011

Sitio paleontológico é descoberto em Baixa Grande


De branco Rômulo Fontoura, de marron Ismar e de azul Ricardo

Sitio paleontológico é descoberto em Baixa Grande. Por iniciativa do vereador Rômulo Fontoura de Baixa Grande e o dono da propriedade em Lagoa do Rumo “ Seu João “, estudos se aprofunda e indica a criação de um museu em Baixa Grande, o turismo poderá chegar a 30 mil visitantes por ano a partir de 2014.
Zoneamento da área escavada
Utilização de retroescavadeira para a remoção da camada de lama que cobre o nível fossilífero.
Retirando um bloco de rocha contendo uma defesa de Stegomastodon waringi. Um árduo e sistemático trabalho que levou 3 dias para ser concluído com sucesso.

Leia entrevista abaixo  do pesquisando Ricardo sobre os achados:

Ricardo, qual a importância dos achados para Baixa Grande e para a paleontologia ?
A importância, como todos os achados paleontológicos, é enorme. O depósito fossilífero da Lagoa do Rumo tem sido sistematicamente escavado desde fevereiro de 2008, revelando fósseis de mamíferos extintos há aproximadamente 10.000 anos. Os registros destes fósseis são comuns no Nordeste brasileiro, principalmente nos tanques do Planalto da Borborema localizados nos estados de Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Na Bahia, suas ocorrências ocorrem predominantemente nas cavernas da Chapada Diamantina, sendo poucos os registros em tanques baianos.

É possível haver geração de renda e turismo por conta deste achados?
Sim, é possível. Para tal faz-se necessário a criação de um Museu de Paleontologia, como ocorre em diversas cidades de pequeno e médio porte por todo o Brasil (ex: Santana do Cariri (PE), Peirópolis (MG), Souza (PB), Maravilha (SE), entre outros). A partir da criação do museu de Paleontologia parte deste material poderá ficar no Município de Baixa Grande, promovendo desta forma uma exposição permanente representando os achados do município. Porém não basta somente criar o Museu, mas também divulgá-lo. Desta forma moradores de cidades vizinhas, viajantes a caminho da Chapada Diamantina, entre outros, poderão visitar o município e aquecer a economia local. 

Quantos tipo de  animais foram encontrados e qual a datação dos mesmo?
Foram encontrados os seguintes animais: Eremotherium laurillardi, a maior das preguiças gigantes; Panochthus greslebini, um “tatu” gigante; Stegomastodo waringi, o extinto elefante sulamericano; um Toxodontinae, animal herbívoro de grande porte, semelhante ao hipopótamo. Nos dois últimos anos novas descobertas foram feitas: a presença de uma outra espécie de preguiça terrícola, Catonyx cuvieri; a presença de um Tayassu sp. (porco do mato, animal ainda vivente); além de mais duas espécies de tatus gigantes, representados por fragmentos de suas carapaças: Pampatherium humbolditi e Glyptodon clavipes. As datações realizadas em fósseis do depósito apontaram uma acentuada mistura temporal na assembléia fossilífera. Um artigo científico acaba de ser submetido a uma revista internacional (Quaternary International), em parceria com os pesquisadores Oswaldo Baffa, Angela Kinoshita, Ana Maria Graciano Ribeiro e Ismar de Souza Carvalho relatando a datação por Ressonância Magnética Eletrônica realizada em dentes de Stegomastodon waringi (AMEPR1)e de Toxodontinae (AMEPR2  e AMEPR3) obteve os seguintes resultados: 50.000 ± 10.000 anos antes do presente para o Stegomastodon, 43.000 ± 8.000 anos para o primeiro Toxodontinae, e 9.000 ± 2.000 anos para o segundo Toxodontinae. Este trabalho já foi apresentado em congressos na Polônia e na Argentina.

Como descobriu os achados em Baixa Grande?
A descoberta dos fósseis, ocorrida de forma acidental, nos foi reportada por Rômulo Fontoura. Nos foi enviada uma foto do material descoberto inicialmente pelo Sr. João França, proprietário do terreno onde estes fósseis foram encontrados, questionando se estes seriam pertencentes a dinossauros, devido ao tamanho dos ossos. Relatamos que não, que eram de mamíferos. Posteriormente fizemos uma visita ao depósito para estudar sua viabilidade para que fosse realizado um estudo amplo do depósito. O depósito se mostrou perfeito para a pesquisa que gostaríamos de realizar, gerando uma Dissertação de Mestrado, ao longo dos anos de 2008 e 2010, e recentemente uma tese de Doutorado, além de uma monografia de conclusão de curso. 

Qual  o prazo final para a pesquisa ?
O doutorado em andamento deve ser concluído em março de 2014. É difícil estabelecer uma prazo para a conclusão das escavações, as quais podem se prolongar por alguns anos após 2014, devido ao tamanho do depósito, a espera de condições climáticas propícias para serem realizadas as escavações (durante uma estiagem), além de do ritmo de trabalho durante as escavação, por vezes muito lento, para que o material, já bem frágil, não seja danificado durante a coleta. Neste último campo, levamos 3 dias para retirar do depósito uma única peça, tomando todos os cuidados necessários para que esta não fosse danificada.

A UFRJ poderá ajudar Baixa Grande na implantação de um museu e modelo gestor para o turismo ?
Sim. Possuímos um grupo de estudo no Departamento de Geologia voltado para o estudo do patrimônio geológico e paleontológico, e de qual a relação entre as instituições museológicas e as comunidades locais. Conversei com o aluno de Doutorado de Programa de Pós Graduação em Geologia da UFRJ, Wellington Francisco, com uma grande experiência no setor, tendo realizado duas monografias e uma dissertação de mestrado sobre o assunto. Na atualidade, este pesquisador estuda o Parque dos Dinossauros, em Souza na Paraíba. Após contactá-lo, demonstrou grande interesse em participar da implementação de um projeto museológico para Baixa Grande. O email deste pesquisador é tonlingeo@yahoo.com.br.

Nós da UFRJ ficamos muito contentes com o interesse demonstrado pela prefeitura de Baixa Grande nestes achados, e esperamos trabalhar em parceria tanto nas futuras expedições quanto na implementação do projeto museológico para o município, divulgando desta forma tanto o município, quanto a ciência paleontológica. Abaixo algumas fotografias de alguns dos fósseis encontrados e do árduo trabalho de escavação.

Atenciosamente,

Ricardo da Costa Ribeiro

MSc em Geologia pela UFRJ, Doutorando em Geologia, bolsista da CAPPES
Fonte: www.agmarrios.com.br

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